9/11/2016

Dos pequenos poemas com futuro (12)

Eu me vesti pra te gostar
Num baile de festa bonita
Que ainda não há
E me disseram que não vai ter.

Mas eu já vi essa dança
De memória, os pares no salão
As moças, com flor no cabelo
Os moços, fazendo de conta
que sabiam o que estavam fazendo.

Era lindo:
Uma tragédia, desencontro do início ao fim,
Mas terminava todo mundo dançando.
E dançando tudo ajeitava.

Eu sonhei de memória, meio assim:
Um, dois
Um dois três
Um, dois
Um dois três
Um, dois ...

7/23/2016

Dos pequenos poemas sem futuro (11)


correm os dedos
por tua pélvis
o toque doce
do terremoto

na tua pele
o concreto derrete
e as ruas se curvam
não há mais dobras ou esquinas
só voltas
e voltas
e voltas...

aceleram os lábios
nos caminhos da nuca
as ruas, agora, são ondas
que estouram aos teus pés

e teus pés se atravessam
e teus pés se contorcem
emaranhados
com os meus.


Dos pequenos poemas sem futuro (10)


vi teu corpo pairando no ar
vi teu corpo debaixo do meu
vi teu corpo tremer
vi teu corpo da janela da sala
vi teu corpo de longe
vi teu corpo fundido
com meu corpo que é teu corpo
em um bloco só de mármore negro


Dos pequenos poemas sem futuro (8)

Caímos
Caímos todos
E caímos tanto
Se ainda caíssemos de mãos dadas
Diríamos da queda
coreografia

Se algum de nós tivesse um plano
Teríamos ao menos inveja

Se algum de nós tivesse ao menos um mapa
Teríamos ao menos
o fundo

Se algum de nós tivesse as horas
Teríamos ao menos o tempo
Para sonhar
Que estivemos juntos

Mas não há nada
que algum de nós tenha
que invejemos.
Não de verdade, pelo menos.


Caímos,

Todos,

Sozinhos,

No espaço vazio.

Dos pequenos poemas sem futuro (9)


eu tento teus beijos
e teus lábios me tentam

eu tento desejos
que tento não ter

eu tento tentá-la:

teu toque me entorta.


Dos pequenos poemas sem futuro (8)

Caímos
Caímos todos
E caímos tanto
Se ainda caíssemos de mãos dadas
Diríamos da queda
coreografia

Se algum de nós tivesse um plano
Teríamos ao menos inveja

Se alguém tivesse um mapa
Teríamos ao menos
o fundo

Se algum de nós tivesse as horas
Teríamos ao menos o tempo
Para sonhar
Que estivemos juntos

Mas não há nada
que algum de nós tenha
que invejemos.
Não de verdade, pelo menos.


Caímos,

Todos,

Sozinhos,

No espaço vazio.

Dos pequenos poemas sem futuro (7)


Estive o tempo tonto
À procura de ti

Tanta terra descobri
E nem nada de tesouro

Achei ouvir
- talvez -
A música do teu choro
E perdido prossegui:

errei.